Pra frente, Brasil
Eu queria, de verdade, não ter essa certeza d’alma de que os jogadores de futebol são completos idiotas. É como se a habilidade com a bola só pudesse ser consumada, fisicamente, dentro de um cruel sistema de compensação baseado na debilidade mental e na desarticulação da fala e do raciocínio. E não me refiro apenas ao Ronaldo “Fenômeno”, essa figura de intelecto claudicante que gasta mais energia para formar uma frase do que para correr do meio de campo até a pequena área do adversário. Vi esses dias na TV que Zico, o grande Galinho de Quintino, ídolo da minha geração, dirige a seleção do Japão com um tradutor do lado. Detalhe: entre idas e vindas, Zico está ligado ao futebol japonês desde 1991. Ou seja, há 15 anos! Tá, tá, japonês é difícil para caralho, mas em 15 anos dá para aprender até os dialetos da Mongólia, porra.
Também em dias desses, a TV Globo passou um especial com Ronaldinho Gaúcho, um bate-papo numa praia nublada, não sei onde. Uma merda de entrevista. Mas o que chamou a atenção foi a confusão mental do entrevistado, até para falar do filho dele, um certo João, de cuja mãe não se citou o nome, nem a origem, nem muito menos foi dado detalhes da relação que gerou o pimpolho. Um primor de jornalismo. Ronaldinho, que joga bola como ninguém, é o protótipo do atleta com cérebro de uso restrito. A opção por aquele rabo-de-cavalo pastoso e pela permanência daquela arcada dentária semelhante a um limpa-trilho só reforça a tese de que, apesar do dinheiro, disfunções cerebrais são mesmo irreversíveis.
Não por outra razão, os textos das reportagens esportivas, sobretudo as de televisão, beiram o ridículo. Apelam para clichês futebolísticos, aliás, especialidade do presidente Lula, e teimam em fazer coisas “engraçadinhas” e trocadilhos infames colocados no ar como se todos nós, amantes do futebol, fôssemos debilóides. É de uma primariedade constrangedora, uma overdose de babaquice que só tende a piorar com a proximidade da Copa da Mundo. Isso sem contar com a patriotada que, diariamente, faz com que uma cidade da Alemanha ou uma escolinha do interior de Pernambuco “se vista de verde e amarelo”. Agora, me digam: por que temos que aguentar essa babaquice se tudo que a gente quer ver são os gols?? Eu quero lá saber que fulaninho carioca toca cavaquinho? Que cicraninho pernambucano dança frevo? Que nas horas vagas a seleção canta pagode? Que se fodam os pagodeiros, antes que eu me esqueça.
Outra fórmula permanente é a do jogador “de origem humilde” (o vocábulo “pobre” não existe na crônica esportiva) que venceu os obstáculos e se tornou um ídolo e um exemplo de vida para as crianças. Quer dizer, o cara passa a vida jogando bola, não lê a porra de um livro, balbucia três ou quatro clichês na beira do campo, enche o rabo de dinheiro, come umas modelos gostosas e retardadas para, no final, virar exemplo de superação de vida. No cu, pardal!
Por isso que meu modelo de jogador sempre foi Garrincha, que viveu e morreu sem entender porra nenhuma.
Só jogava bola, e estava bom demais.
Escrito por Ozzymandhas às 19h59
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