Velhacos do rock
Eu, definitivamente, não entendo de showbusiness nem de hormônios. Vi pela televisão as exaustivas reportagens, sobretudo da TV Globo, sobre esses “mega” shows dos Rolling Stones e do U2, e fiquei naquele constrangimento de quem sente vergonha pelos outros. Os Stones seguem a mística carreira dos velhos roqueiros e, apesar da idade, transparecem mais tédio do que rugas. Aquela animação over de Jagger no palco, como se tivesse voltado aos tempos da cocaína, só pode ser resultado dessas super injeções de vitamina inventadas por médicos da Califórnia. Parecia uma bruxa velha tendo um ataque de apoplexia, totalmente dispensável. Deve ser horrível ter mais de 60 anos e se sentir cobrado dessa maneira. Provavelmente, as multidões que os Stones atraem, naquele oba-oba ridículo do tenho-que-ver-o-show-do-século, demandam esse tipo de marketing, o que seria perfeito, não fosse pelo fato de a banda ser obrigada, pelos médicos, a levar um desfibrilador junto com as caixas de som.
O U2, além de ser um trocadilho infame, passou a encarnar o renascentismo do rock, quatro homens de bem pregando a paz mundial prestes a se tornarem o único símbolo possível de politização das elites ocidentais. Tudo bem, eu, sinceramente, não conheço metade das músicas que eles tocaram. Achei tudo muito repetitivo e demorado. O que ainda me choca, de verdade, é o bando inacreditável de babacas – marmanjos, até – que fica dois dias numa fila organizando rolzinho de senhas para ficar olhando, lá da puta que o pariu, uma espécie de Maradona irlandês que cultua o corte de cabelo do incrível Hulk. E a legião de fãs gorduchas de Bono Vox aos prantos na porta da Granja do Torto? Todos esse anos de novela nos levaram, definitivamente, a adorar canastrões.
Como era de se esperar, a Globo travou em cima da “emoção” do “momento histórico” que são esses shows de bandas com mais 30 anos de estrada dispostas, em fim de carreira, a agüentar a gritaria da bugrada do Terceiro Mundo como parte da estratégia comercial das gravadoras. Devem achar graça daqueles coitados postados na frente do Copacabana Palace com faixas e câmaras digitais, humilhando-se pelo adeusinho de um popstar. Se lhes jogarem merda, ainda riem, os babacas.
Escrito por Ozzymandhas às 14h45
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