Manual da fêmea pós-moderna
Uma coisa me intriga no universo feminino. Por que diabos as mulheres compram essas revistas que as tratam como débeis mentais? Essa semana, vi, anunciado na capa de uma delas, na banca da minha quadra, a seguinte demência em letras: “ 51 atitudes simples e eficientes para emagrecer”. Realmente, tudo fica mais simples se você, mulher moderna, sai com essa lista no bolso e passa o dia consultando um rol de estultices para se manter magra e esbelta. Coisas geniais como optar por queijos magros e beber cerveja sem álcool. Ou, patético, manter o autocontrole no supermercado, embora não haja nada específico para as maconheiras que, como se sabe, curam a larica atacando as prateleiras de doces e balas – com ação preferencial voltada para caixas de Bis e latas de Leite Moça. Caso não consiga manter-se em forma, pode a moça-baleia assumir-se gorda e seguir outro conselho fabuloso registrado em anais similares: curso de strip para mulheres obesas a fim de, supostamente, alcançar uma rápida melhora de auto-estima. No final da dança bizarra, a gorducha pode até descolar um amendoim da platéia. E foda-se o bom senso.
Tá, nem vou falar de como a mulherada é tratada nas religiões, porque já tem crente achando que sou o anticristo e lotando minha caixa de mensagens com salmos e ameaças de inferno. Além do que, imagino que não deve ser realmente fácil portar o perseguido mexilhão. Primeiro, sofrem as mulheres com o assédio desmedido de retardados emocionais, entre eles, os massageadores de ombros tensos. Qualquer vivente de repartição ou sala de aula conhece o tipo. Normalmente, está acima do peso, tem mau hálito e mantém uma baba branca permanente nos cantos da boca. Como tem impotência intelectual, precisa do contato físico urgente. Parte, então, para as incautas de plantão, as envergonhadas que se obrigam a agüentar aquelas mãozinhas lascivas sobre os ombros, nos cabelos e, depois, aquele beijinho safado na nuca.
- Então, está gostando? (isso, gostosa, deixa eu te pegar!)
- Claro, você é muito gentil (ai, meu Deus, que bafo!)
Por que as revistas femininas não são práticas e, em vez de ficar ensinando a curar as incuráveis celulites, não ensinam o que de fato interessa às mulheres? Por exemplo: nunca desprezar a pentelheira. Tá, não precisa manter aquela mata atlântica de Cláudia Ohana. Mas, por favor, nos poupem (nós, os amantes), daquele cortezinho Charles Chaplin na virilha. Que porra é aquela? Outra coisa que as revistas não abordam: de onde saiu a idéia de que os homens gostam de mulher magrela? Nada se compara a uma boa bunda, ladies. Isso sem falar naqueles coxões carnudos na base de sustentação. Quem gosta de cambito é pescador, caralho.
Escrito por Ozzymandhas às 09h52
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