Um tapinha não dói
Eu sempre desconfiei desse Netinho, o anjinho pretinho e do bem bancado pela Igreja Universal do Reino de Deus. Aliás, sempre desconfiei de gente que é boazinha 24 horas por dia. Esse Netinho, sempre bonzinho, enfiou a mão na cara da esposinha dele. Na TV é só ternura, cheio de dentes e gemidos de amor, uma frescurada só. Leva sonhos para as pobrezinhas da periferia, princesas por um dia, ainda bem, porque mais uma semana e as coitadas arriscam levar na cara também. Ah, Netinho, como ele é bonzinho. Só faz o bem, canta umas musiquinhas também, aquele pagodezinho de merda, mas tudo muito bonzinho. Aquele sorriso plástico, o anti-Zé Pequeno, o mocinho pobre que vende esperanças na Record, ele os bispos do descarrego do fogo (aliás, que porra é essa??). Netinho também defende a raça. No programa dele, elegeu a mais bela negra do Brasil, belíssima, diga-se de passagem. Mas tá na cara que ali não é a área dele, e essa frescura contida pode explicar esse caso típico de violência doméstica. Netinho é um doce lá, com as negas dele. Mas com a branca (que coisa mais previsível), é porrada mesmo. Dois olhos roxos como berinjelas estampados em todos os jornais. E ele me sai com essa: a esposinha amada, mãe de filhos naturais e adotivos, não levou porrada não. Caiu com a cara na porta. Então, Netinho, o bichinho felpudo do pagode, também tem alma muito criativa, o novo deus do design nacional: criou a porta com duas maçanetas. Ah, vai se fuder, Netinho.
Escrito por Ozzymandhas às 22h05
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