Papai Noel, seu velho libertino, deixei minhas meias na sala no natal passado, e nelas nada achei. Na verdade, nem as meias achei, porque não sei em que sala as deixei, na da minha casa é que não foi. Neste ano não há de haver negligência, as meias hão de ser novas, felpudas, aquelas da Varig, coisa boa, de vôo internacional. Meu pai as me deu, com lacre e tudo. Quero dentro delas um guia de viagem, passaporte e ajuda de custo, se bem que um sundown 30 também será bem vindo, porque nesta época faz sol nos trópicos, e para longe deles não tenho a menor intenção de me deslocar. Inclui também uma loira do tchan, daquelas da primeira safra, porque esta última de Brasília não foi além da Sexy, nem o estagiário da Playboy ligou para ela, conhecedores que são esses meninos das misérias do país. Preciso, ainda, de um borrifador de água, coisa de pouca monta, mas cheia de utilidades, como molhar as plantas da janela e as camisetas brancas das folionas incautas de certas festas de reveillon. Ah, seria de bom grado incluir uns endereços eletrônicos novos com sites de sacanagem, porque o meu favoritos está pleno de velharias e fotos requentadas. Nessas meias cabem é coisa, pode crer. E se você é mesmo um bom velhinho, trata de mocozar umas folhas de beladona em uma caixinha de madrepérola, para modo de eu fazer um chá daqueles que você usa para viajar nessas renas alimentadas a base de toda ordem de alcalóides, você não engana ninguém, velho chapado.