Hai Kai de outros carnavais

A amiga é secreta

A xereca

Não



Escrito por Ozzymandhas às 15h58
[] [envie esta mensagem]



Quem oculta, amigo secreto é

Tem gente que espera o ano todo pela festa da firma para, justamente, levar uma funcionária ao castigo. Toda a carga dispersa de assédio ao longo do ano, os e-mails, os comentários no café, a piada insinuante, a trombada no elevador, a cantada barata e previsível, tudo se concentra na mesa do bar. O servidor recolhido da xerox, que passa o dia filmando a bunda alheia, farta-se com as possibilidades da caipirinha servida à vontade, magarefe secreto, o amigo que ninguém nem secretamente quer. É fácil localizar uma mesa de firma no bar. No início, é uma ceia de constrangidos onde figuram, aqui e ali, um ou outro mais animado, normalmente os mais chatos. As rodadas de álcool, no entanto, vão reconfigurando a mesa e as demandas dos aldeões: as bocas da matilha começam a salivar. Inicia-se, assim, a pingaiada.

Dona Flor, loira e laquê, camisa de cetim estampada de motivos florais, a bunda enorme na calça preta, aquele cintinho lascivo e dourado na circunferência do abdome. Aqui e ali uma transparência, um pesadelo. Dona Flor está bêbada, fala aos berros. A cada bobagem que diz obriga-se a dar longas gargalhadas cheias de saliva. Dá uma pausa para tomar uma tulipa de chopp a talagadas. E volta ao picadeiro daquela noite. Dona Flor tem seios enormes de aparência quebradiça, pelo menos até onde se vê no decote. Tem umas sardas clarinhas, um monte delas, o que suaviza o conjunto, escandaloso no todo. Joga-se sobre Miguel, da contabilidade, toda vez que se empenha em gargalhar. Está a um passo de patolá-lo, mas Miguel vive um dilema.

Como todo funcionário de contabilidade, Miguel é casado, bem casado, como se diz quem vive um casamento de merda. Quanto mais silêncio, mais acomodação, mais renda e patrimônio, estão os casais bem casados. Miguel é assim, tem até uma casinha em Formosa. Mas, porra, Miguel é homem. Dona Flor tem aquele peitão sardento, aquele cintinho dourado na curva aberta das ancas, deve dar para caralho. Miguel tem lá seus arroubos, como se vê. Entra aos poucos na dança, passa uma mão urgente pelas costas suadas de Dona Flor, testa as reações. Alguém entoa um pagode, aos gritos, aos berros, seguem-se os refrãos. Miguel ali, tateando as carnes brancas de Dona Flor. Arrisca cheirar o cabelo, mas desiste em seguida, por péssima idéia. O cabelo está quente, provavelmente por conta de alguma reação química do laquê. Bota caipirinha para dentro. O pagode começa a surtir efeito.

Álvaro é o gaiato da mesa porque é o gaiato da firma. É um chato irrecuperável, capaz de cometer todo tipo de incoveniência, tanto que separa sempre as piores piadas para esse tipo de evento. Aos poucos, vai se embriagando e se divertindo às custas da cara dos outros, de comentários de defeitos físicos, da covardia alheia de lhe enfiar uma porrada nos ovos para deixar de ser chato. Os chatos são imperdoáveis como os maus poetas. Ele se acha sedutor e faz aquele sambinha, fica em pé ao lado da mesa com o copo de chopp na mão, uma roda de suor em volta do umbigo, um desastre completo. Cisma de ciscar em volta de Lurdinha, a secretária.

Qualquer fulaninho de repartição sabe que as secretárias são alvo preferencial das festas de firma. Vencem até das aeromoças, se é que elas fazem festa no aeroporto, pode ser viagem minha. Mas secretária tem aquele não-sei-quê de amante, de mandar recados secretos por bilhetes, de dissimular sorrisos durante reuniões (como quem diz "ah, que noite ontem, pena que você tem sempre que voltar para aquela mulher"), essas coisas. Lurdinha está inteiraça, de vestidinho, peitinhos miúdos, a gostosinha da firma, reserva de mercado, se fosse, da diretoria. Simpática com todos, deixa mil frestas abertas para todos os homens da mesa, dá beijinho carinhoso nos amigos, pega o chopp devagarinho, com os dedos de unhas bem feitas. Engasga e passa mal por causa da carga de inveja das outras. Para desespero geral, vai-se embora primeiro que todo mundo. "Gente, amanhã é dia de trabalho normal!". É uma bronca carinhosa, quase um chiste. É uma simpatia a Lurdinha. E que coxas deliciosas!

Daqui a pouco, o momento sublime do amigo secreto, quando secretamente nos odiamos por ali estar sem nem a Lurdinha para consolar.



Escrito por Ozzymandhas às 11h05
[] [envie esta mensagem]



Forró é o cacete

Uma jovem leitora, excitada com minhas recomendações, pede que eu publique o seguinte comentário: "Se o homem for dançar forró, que dance agarrado, para sarrar mesmo e nada de ficar fazendo acrobacia de dar voltinhas. Só dá o maior trabalho para acompanhar, desarruma o penteado e a roupa. Alem do mais, vamos combinar: mulher gosta mesmo é de ralar pinto. Já cheguei a dizer isso, quase com essas letras, para um rapaz. Ele ficou horrorizado."

Feito o registro.



Escrito por Ozzymandhas às 19h44
[] [envie esta mensagem]



Enquanto isso, na convenção do PMDB...

- Base aliada?

- Não, silicone mesmo.



Escrito por Ozzymandhas às 19h40
[] [envie esta mensagem]



Cancun, terra sem lei

Neste caso, recomenda-se eutanásia assistida e coma induzido



Escrito por Ozzymandhas às 16h25
[] [envie esta mensagem]



Café Cancun, todo cuidado é pouco

A chegada no abatedouro é parte fundamental da estratégia masculina. É característica básica de todo mané chegar na hora que a festa está começando, quando toda avaliação feminina é feita a partir da dicotomia luz/sobriedade. Ou seja, por mais que você se ache a última camisinha do puteiro, vai ser tratado sempre como alternativa ao que certamente virá mais tarde. O melhor é chegar quando a pingaiada estiver rolando solta, umas duas horas depois do horário marcado para o início da farra. No caso do Cancun, não tem nada mais deprimente do que encarar aquela fila do Liberty Mall, o manezão lá, exposto no claro, perdendo pontos preciosos e correndo o risco de ficar desanimado por conta da lata das transeuntes. Ou você acha que somente elas precisam beber? Chegando mais tarde, você chega aliado ao escuro e com a vantagem adicional de mulherada já estar em razoável manguaça.

Uma vez dentro, tenha calma. Nada de ir avançando na primeira transparência de bunda que aparecer pela frente. Tem uma espertas que ficam do lado da cordinha de acesso para, justamente, garantir vaga na ansiedade dos afoitos e, até o fim da noite, levá-los ao castigo. Passe direto por elas, vá ao bar, peça uma bebida e fique filmando, primeiro, as fileiras de mesas do térreo. Por ali se concentram as desesperadas à espera do primeiro assédio. Não se aproxime! Espere elas dispensarem umas duas ou três temeridades de camisa de seda e marca de suor no sovaco. Depois disso, não importa o que você diga (aliás, no Café Cancun, não importa o que ninguém diga), vai soar como música aos ouvidos da perseguida. Mas, atenção. Não seja babaca de já ir chamando a mulherada para dançar. Se você ficar chamando para dançar e levar uns dois foras, a máfia vai notar que você está atirando para todo lado, fora de si, sem critério e sem escrúpulos. Ok, é tudo verdade. Que outra merda você iria estar fazendo por ali? Mas, mesmo em cafuas de som mecânico, aparências são tudo.

Lembre-se que elas também estão fazendo o reconhecimento da área, loucas para ser assediadas por rapagões sarados metidos em camisas justas, com a testa enfeitada por aqueles topetes ridículos feitos com gomalina e gel, também conhecidos por "alça de boquete". Infelizmente, esses seres afeminados exercem profunda atração sobre as mulheres, principalmente as aficcionadas por academia de ginástica, viciadas que são na famigerada rosca invertida. Espere esse pessoal se entrosar e concentre-se no resto da festa, sobretudo naquelas moças mais vistosas e arrumadinhas. É necessário fazer uma pré-seleção mental de modo a não se deixar levar pela loucura do primeiro uísque e cair, antes mesmo de qualquer luta, nos braços macilentos de alguma manicure de Sobradinho. Faça uma reserva virtual de alternativas para o fim da noite, incluindo na lista toda e qualquer criatura que esteja metida em conjuntinhos de cor. Mulher que usa conjuntinho da mesma cor tem, seguramente, falhas graves a esconder, e não me refiro só à cicatriz da cesárea nas bordas do mexilhão. Preste atenção: conjuntinho é embalagem de mocréia! Aguardem novas instruções.



Escrito por Ozzymandhas às 16h11
[] [envie esta mensagem]



Bebum no Cancun

Jovens que beberam até cair e que, obviamente, não comeram ninguém



Escrito por Ozzymandhas às 14h59
[] [envie esta mensagem]



Café Cancun, modo de usar

Jovens aspirantes à baixaria e donzelos em geral me pedem conselhos, eu entendo, jovem já fui também e em época de costumes mais rígidos e menos fartura de piranhas. Todo o vigor do mundo, hormônio saindo pelo ladrão, mas, como diz o ditado, para o mau comedor, até as bolas atrapalham. Ficam os babões pelas festas, bestamente em grupos, tomando catuaba selvagem em copo de plástico enquanto a mulherada percorre o salão atrás de homem de verdade. Dá pena. Depois, a manezada consegue, no máximo, ensaiar aquela coreografia patética, dando voltinha na roda das mulheres, simulacro de um desses vídeos de acasalamento da National Geografic. Então, vai lá um primeiro conselho: deixa de ser mané. Quem vai a festa para dançar é mulher. Homem vai a festa para baixar o sarrafo.

Recomendo aos libertinos neófitos um estágio de quatro semanas no Café Cancun antes de tentarem vôos mais sórdidos, como encarar o Otello e a sexta-feira dançante do Clube dos Servidores, por exemplo. Mas não em qualquer noite! Evitem, por exemplo, aquelas dedicadas a forró ou quaisquer manifestações regionais onde qualquer paraíba de sandália se sai melhor que você. Nunca vá a forró se você não sabe dançar forró, porque é luta desigual. Não tem jeito, a mulherada só se atraca com quem sabe dançar aquela merda puladinha. Melhor começar o programa de treinamento pelas noites de flashback, anos 80, essas picaretagens. É ambiente bem servido de coroas em busca de refrega em carne (mais) nova, o que garante à canalha um espectro de aproveitamento que vai dos 20 aos 45 anos, por baixo. Nessas noites, aquela colorida casa de tolerância mexicana vira um verdadeiro pesque-pague de mexilhões ao som de RPM, Legião Urbana e Roberta Flack. E, como em qualquer pescaria, o segredo está em estudar o movimento do cardume antes de jogar a isca. Mais tarde dou conta das manhas. Até já.



Escrito por Ozzymandhas às 11h21
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]





Meu perfil
BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, ASA NORTE, Homem, de 36 a 45 anos


Histórico
20/07/2008 a 26/07/2008
01/06/2008 a 07/06/2008
02/03/2008 a 08/03/2008
28/10/2007 a 03/11/2007
19/08/2007 a 25/08/2007
20/05/2007 a 26/05/2007
06/05/2007 a 12/05/2007
01/04/2007 a 07/04/2007
04/03/2007 a 10/03/2007
25/02/2007 a 03/03/2007
28/01/2007 a 03/02/2007
17/12/2006 a 23/12/2006
19/11/2006 a 25/11/2006
12/11/2006 a 18/11/2006
10/09/2006 a 16/09/2006
09/07/2006 a 15/07/2006
04/06/2006 a 10/06/2006
07/05/2006 a 13/05/2006
02/04/2006 a 08/04/2006
19/03/2006 a 25/03/2006
19/02/2006 a 25/02/2006
29/01/2006 a 04/02/2006
01/01/2006 a 07/01/2006
04/12/2005 a 10/12/2005
16/10/2005 a 22/10/2005
25/09/2005 a 01/10/2005
11/09/2005 a 17/09/2005
07/08/2005 a 13/08/2005
03/07/2005 a 09/07/2005
19/06/2005 a 25/06/2005
05/06/2005 a 11/06/2005
15/05/2005 a 21/05/2005
24/04/2005 a 30/04/2005
17/04/2005 a 23/04/2005
03/04/2005 a 09/04/2005
20/03/2005 a 26/03/2005
13/03/2005 a 19/03/2005
06/03/2005 a 12/03/2005
27/02/2005 a 05/03/2005
20/02/2005 a 26/02/2005
06/02/2005 a 12/02/2005
30/01/2005 a 05/02/2005
23/01/2005 a 29/01/2005
16/01/2005 a 22/01/2005
09/01/2005 a 15/01/2005
19/12/2004 a 25/12/2004
12/12/2004 a 18/12/2004
05/12/2004 a 11/12/2004


Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
Blog do Nassif
Blog do Mino
Blog do Noblat
Escola Livre de Jornalismo
CartaCapital